Plantar com crianças e cultivar a terra é muito mais que um passatempo. Também é muito mais que mostrar na prática o que uma planta precisa para crescer. Envolvê-las em atividades de jardinagem – sempre promovidas no Tistu – é ensiná-las a observar e valorizar o ambiente que as cerca; é mostrar a inter-relação entre os vários elementos da natureza, vivos e não vivos; é ensiná-las sobre os alimentos e temperos, desertando o interesse sobre nutrientes e combinações de sabores e cheiros; e, acima de tudo, ajudá-las a construir uma relação de reciprocidade com a natureza que seja sustentável e benéfica para o corpo e mente.
A partir dessa ideia ampla de trazer os cuidados com a natureza para o dia a dia das crianças, tanto em casa quanto na escola, que o empreendedor social peruano Joaquin Leguia fundou a ANIA – Associação Para a Criança e seu Ambiente. Ele propõe a criação, em casas, áreas escolas e até em apartamentos, do que chama de TiNis: pedaços de terra para crianças e adolescentes cultivarem a vida, pensando no bem-estar próprio, dos outros e nos cuidados com a natureza.
O projeto acabou virando palestra no TED (Terra das meninas, meninos e jovens) e conquistando apoiadores de várias partes do mundo. No Brasil a fundação Alana criou uma página na internet (www.tinis.com.br) com vários recursos gratuitos para quem quer começar hoje mesmo a cultivar plantas em casa ou nas escolas com crianças.
Uma das atrações da página é a série de vídeos semanais estrelados por Gisele Bünchen que mostram a relação de seus filhos com a natureza. Há também a possibilidade de fazer o download gratuito ou ler on-line o livro ilustrado Tini: terra das crianças, de Cristiane Velasco, uma história que ensina sobre natureza e diversidade.
Outro livro que está disponível para download no site é o Guia Para Pequenos Criadores de TiNis, com passo a passo para cultivar plantas em vários tipos de ambiente e de formas diferentes. O guia, juntamente com os vídeos do site, trazem dicas de como explorar, criar e se inspirar com a natureza; como cultivar plantas que atraem borboletas, abelhas, besouros, pássaros; como resgatar sabores e histórias dos antepassados; como cultivar plantas alimentícias, medicinais e aromáticas; como criar um banco de sementes; como criar um minhocário, entre outras informações.
Conforme explica Joaquin Leguia na apresentação do seu projeto, “somos todos um, o que fazemos às demais pessoas e à natureza fazemos também a nós mesmos. Após um tempo viajando pelo Peru, descobri que na cultura andino-amazônica essa sabedoria também está presente e as crianças crescem como seres criadores de vida. É comum na cultura quechua que as crianças ganhem um pedacinho de terra para cultivar plantas. Esse cultivo, na verdade, é uma criação, porque nesse processo há uma troca: as crianças criam as plantas e as plantas criam as crianças”.
A proposta de Leguia se aproxima muito da do Tistu. O contato e a observação da natureza, atividades com a terra e projetos que trabalham ações sustentáveis e a conscientização do papel de cada um na preservação do ambiente fazem parte do dia a dia da escola. No Tistu 3, as aulas de ciências são complementadas com experiências práticas no laboratório da escola e também nos espaços externos, como a agrofloresta, para que possam mexer na terra e aprender sobre a natureza no contato direto com as plantas e não apenas por meio das apostilas.