De acordo com o relatório da Comissão Internacional sobre Educação para o Século XXI, da UNESCO, a educação para as próximas gerações deve estar sustentada por quatro pilares:

SABER

A criança aprende mais e melhor quando pode ver, ouvir, tocar e sentir. A grande capacidade para imaginar, própria da infância, pode se transformar em criatividade quando a escola dá espaço para que isso aconteça.


As crianças aprendem melhor pela ação e pela interação. Portanto, é necessário que elas sejam ativas durante todo o processo de aprendizagem. Não deve haver lugar para o professor que se julga dono da verdade, que fala o tempo todo e exige que as crianças fiquem quietas, apenas ouvindo.


Para aprender, a criança precisa poder falar, intervir, trocar ideias, movimentar-se. O conhecimento não está apenas no discurso do professor. Está em um bom filme, em livros bem selecionados, nas pinturas, nas fotos, nos poemas, nos jogos e nas brincadeiras. Essa dimensão lúdica do saber, muito presente da Educação Infantil, costuma dissipar-se à medida que a criança cresce.


A escola não pode ser uma enfadonha obrigação. O que a escola ensina deve parecer importante para o aluno.


Muitas famílias acreditam que quanto mais conteúdo uma escola ensinar ao seu filho, mais ele estará pronto para enfrentar o mundo competitivo que o espera. Na verdade, não é necessário que seja assim. As novas gerações viverão em uma sociedade que valorizará, acima de tudo, a capacidade para criar e cooperar.

FAZER

Infelizmente, vivemos numa sociedade em que nem sempre o que se fala está associado ao que se faz. De nada vale a educação escolar, se ela não for útil para a vida. Educamos as crianças hoje para que amanhã elas possam, como o Tistu da história, transformar Mirapólvora em Miraflores.


Isso significa desenvolver a capacidade de mudar para melhor a vida e o ambiente em que se vive. Transformar a aprendizagem em atitudes positivas é um processo que precisa iniciar na primeira infância, mas não pode se perder nas fases seguintes.


Sobre tudo o que fazemos, lemos, ouvimos e aprendemos, é necessário perguntar: por que preciso aprender a fazer isso? Como isso poderá melhorar a minha vida e a dos outros? Esse é o caminho da autonomia moral e intelectual que tanto buscamos.

CONVIVER

Somos seres naturalmente sociais e compartilhar a vida é condição fundamental tanto nos momentos de alegria quanto nas dificuldades. A escola pode ser o melhor e mais rico campo de experiência para a criança aprender a conviver.


Conviver é se sentir como parte de um todo. É gostar de si mesmo, acolhendo o outro. É trocar ideias, coisas e afetos. É aceitar que não somos melhores, nem piores, apenas diferentes. Precisamos rever os conceitos de criança especial, super-dotada ou deficiente, agressiva ou malvada, passiva ou introvertida. São rótulos que nos impedem de perceber que as deficiências podem ser superadas, que as habilidades podem ser reconhecidas e bem aproveitadas, que uma criança intelectualmente brilhante precisa se sentir bem entre as outras, e que todo comportamento inadequado tem uma causa e precisa ser entendido, contido e modificado.


Por esse motivo, não excluímos alunos que fogem dos padrões reconhecidos como normais. Sabemos que alguns comportamentos podem agredir física ou emocionalmente as outras crianças. Entendemos, porém, que é dever da escola proteger e fortalecer todos, para que aprendam a enfrentar dificuldades.


É na escola que se aprende que a convivência em sociedade precisa ser regida por regras que beneficiam a todos. Regra na escola é como lei. Pode até ser discutida e modificada, mas enquanto estabelecida, deve ser respeitada. É preciso que os pais compreendam isso para que as crianças possam compreender também.


A escola é também espaço de confraternização. Toda comemoração é bem-vinda. As crianças gostam de se expressar através da música, de representações, desfiles e competições. Mas tudo tem seu tempo e hora. É preciso respeitar as diferenças de idade e de temperamento. Criança não é objeto de vaidade, nem para pais, nem para professores.

SER

As crianças nos ensinaram, em tantos anos de Tistu, que a vida pode ser mais simples e que as coisas podem ser redimensionadas, quando vistas com os olhos do coração. A felicidade não está contida no "ter". Não há nada de errado em possuir bens materiais, mas já é tempo de percebermos que "ter" não é só uma questão de merecimento, mas também de oportunidade. O bem mais importante é a amizade, a fraternidade, o amor. Compartilhar uma amizade que começa na escola e dura toda uma vida é uma dádiva que só pode ser dimensionada por aqueles que tiveram essa oportunidade e souberam valorizá-la.